Viver com medo

Quite an experience to live in fear, isn't it?

Quite an experience to live in fear, isn’t it? ~ Blade Runner, 1982

O medo é umas das sensações mais primitivas dos seres humanos. Desde tempos imemoriais esse estado de alerta tem nos protegido do perigo e garantido nossa sobrevivência. Quando a adrenalina é liberada em nosso corpo é como se pudéssemos lutar contra nossos piores temores e fugir dos monstros terríveis de nossa imaginação. Na aventura de nossa curta existência, regida pelo acaso e pelo caos, situações distintas nos aterrorizam. Qual carreira escolher, qual carro comprar, qual cidade se mudar para; e assim seguimos escolhendo, ora acertando, ora falhando.

Suponhamos agora que toda e qualquer decisão seja regida pelo medo. Todo momento está condensado em um temor constante que nos persegue. Não há como escapar. Em síntese, esta é a maneira que uma Testemunha de Jeová vive. Os membros dessa entidade religiosa são desde a infância persuadidos que precisam agradar tudo e a todos. Deus precisa se alegrar de suas ações, sua família precisa ter orgulho de você, a congregação quer que você seja um exemplo e, mais importante, você precisa estar com a consciência limpa e livre de influências “más”.

Um dos grandes problemas das Testemunhas de Jeová é o intenso foco dado à organização, ao grupo de pessoas que fazem parte dela, enquanto o indivíduo é esquecido. Não é estranho lembrar que os membros da religião são provavelmente as pessoas mais afetadas por distúrbios psicológicos quando comparamos a incidência destes problemas com outras entidades religiosas.

Estar dentro da organização é assustador. O mais sutil deslize faz com que o membro se sinta mal pois ele acredita que isso é uma vergonha para todos. Não há redenção sem vergonha e exposição pública. O controle mental sobre o indivíduo é forte demais para que ele possa se libertar das cordas que o mantém no palco. O membro precisa seguir uma série de regras para poder se encaixar no grupo.

Umas das conversas sutis utilizadas pela literatura das Testemunha de Jeová é como devemos temer a Deus. É repetidamente enfatizado que este “temor” não é um medo comum, mas sim o medo de desagradá-lo, uma reverência ou respeito. Porém, o ponto é que os membros da religião têm pavor de qualquer simples escorregadela. A conversa sutil entra na mente da pessoa e se torna algo muito maior com o passar do tempo. E, pior de tudo, esse medo é considerado normal e sadio.

Temer a Deus significa fazer as coisas do modo dele. ( w06 1/8 pp. 21-25)

Outro forte motivo para cultivarmos o temor de Deus é nosso desejo de proteger nosso relacionamento com Ele. Tememos desagradar a Jeová porque prezamos a sua amizade. A quem Deus considera como amigo, que ele convidaria para a sua tenda figurativa? Somente “aquele que anda sem defeito e pratica a justiça”. (Salmo 15:1, 2) Se dermos valor a este relacionamento privilegiado com o nosso Criador, teremos cuidado para andar sem defeito aos seus olhos. (w01 1/12 pp. 19-23)

Por procurarmos e seguirmos a orientação de Jeová, mostrando assim temor a Deus, podemos realmente nos sentir satisfeitos e felizes. (w06 1/8 pp. 26-30)

Você precisa ter medo de faltar às reuniões, medo de não pregar, medo de fazer outros tropeçar. O controle que exerce-se dentro das congregações é desgastante. Tudo isso porque este mesmo Deus que quer protegê-lo e resguardá-lo, está também muito ávido para julgá-lo e exterminá-lo caso você faça o contrário.

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